A CASA MAIS ANTIGA DE CURITIBA

Muitas pessoas passam pelo centro histórico de Curitiba e acabam não percebendo certos detalhes que fazem dessa região um lugar incrível. Exemplo disso é a Casa Romário Martins, que é a casa mais antiga de Curitiba.

A construção data do século XVIII, é importante ressaltar que a cidade de Curitiba foi fundada em 1693 e essa casa foi construída já no próximo século, a partir de 1700.

A casa é o ultimo exemplar da arquitetura colonial portuguesa no centro de Curitiba, a edificação foi utilizada como moradia até o início do século passado, quando passou a abrigar o armazém de secos e molhados de propriedade de Guilherme Etzel e, a partir de 1930, o armazém do Roque.

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Praça da Ordem em 1916, com a casa ao fundo, quando ainda era comércio. FONTE: historiacuritiba.wordpress.com20120705praca-da-ordem-1916

Manteve atividades comerciais até sua desapropriação, em 1970, pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Restaurada conforme projeto do arquiteto Cyro Ilídio Corrêa D’Oliveira Lyra, recebeu na inauguração o nome de Casa Romário Martins, em homenagem ao historiador e pesquisador Alfredo Romário Martins, autor de inúmeras obras referenciais sobre Curitiba.

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Romário Martins. FONTE: wibajucm.blogspot.com.br/2011/05/hj.html

Como legislador, criou a Lei que define o dia 29 de março como a data oficial de comemoração do aniversário da cidade. Ao contrário do que se pensa, Romário Martins nunca teve em vida uma ligação com esta casa, dar seu nome a esta edificação é uma homenagem póstuma ao brilhante escritor e historiador.

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Casa Romário Martins Atualmente. FONTE: http://www.brasilviagem.componturCodAtr=2432

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Vista Frontal, com o antigo bebedouro a frente. FONTE: josistanger.blogspot.com.br/

FONTES:

http://www.curitiba-parana.net/patrimonio/igreja-ordem.htm

http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/espacos-culturais/espaco/casa-romario-martins

http://www.brasilviagem.com/pontur/?CodAtr=2432

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OS RELÓGIOS DE CURITIBA

Bastam alguns minutos de passeio por de Curitiba, para perceber a história da cidade sendo contada pelos ponteiros dos relógios, e são relógios de todo tipo, de flores, redondos, a luz solar ou lá no alto dos prédios históricos acompanhando a cidade e a cada segundo ditando o ritmo da cidade.

FARMÁCIA STELLFELD E O RELÓGIO SOLAR

Um dos mais belos exemplares de relógio curitibano fica em frente a Praça Tiradentes, no centro da cidade. A Farmácia Stellfeld, a primeira de Curitiba, foi aberta em 1857 por Augusto Stellfeld e situava-se na Santa Casa de Misericórdia. Em 1866, o estabelecimento foi transferido para a Praça Tiradentes, na quadra em frente à catedral. O novo prédio foi um verdadeiro marco arquitetônico da época, erguido por artesãos alemães que conseguiram fazer um telhado sem pregos. Sua marca registrada é o relógio solar na fachada.

A particularidade desse relógio reside no fato de seus ponteiros serem movidos pela luz do sol. O relógio desenhado na fachada do prédio histórico possui em sua parte superior uma ponta apontando para a praça, e a medida que o sol passa no céu, a sombra dessa ponta vai sendo projetada no relógio e definindo a hora.

Como Curitiba passa boa parte do ano nublada, poucos notam ou entendem a utilidade do relógio solar. Mas no verão, na falta de um relógio de pulso, ele pode ser útil ou no mínimo curioso.

Relogio Solar da Praça Tiradentes. FONTE: http://www.circulandoporcuritiba.com.br

SANTA CASA

A Santa Casa, como é popularmente conhecida, é um dos mais tradicionais hospitais de Curitiba. Inaugurado em 1880 pelo imperador Dom Pedro II, fez história, por antes mesmo da fundação da Universidade Federal do Paraná, já trabalhar com capacitação de médicos.

Lá no alto do prédio da santa casa situa-se um relógio mecânico, circular e de números romanos. É importante ressaltar a grafia do número 4 nesse relógio, que se apresenta na seguinte forma: IIII e não IV como usado atualmente.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DAS CHAGAS

Originalmente foi a Igreja de Nossa Senhora do Terço e só recebeu o nome atual após a chegada a Ordem de São Francisco em Curitiba, em 1746.

Abrigou um convento franciscano de 1752 a 1783, e no século 19 foi a paróquia dos imigrantes poloneses. Por volta de 1834 uma parte da igreja desabou, mas sua completa restauração se deu apenas em 1880, por ocasião da visita do imperador D. Pedro II.

A torre do templo e a instalação dos sinos foi concluída em 1883. Nessa época a igreja era frequentada principalmente por imigrantes alemães. Tombada desde 1965, a Igreja da Ordem sofreu nova restauração de 1978 a 1980, e em 1981 passou a abrigar o Museu de Arte Sacra.

Na torre está um relógio circular, mecânico, de números romanos e também grafado o 4 como IIII e não IV como atualmente.

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas. FONTE: http://www.panoramio.com

ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CURITIBA

O projeto da estação, baseado em modelo europeu, coube ao engenheiro, de origem italiana, Michelangelo Cuniberti. Em 1894 o edifício foi ampliado com a construção de mais um pavimento, obra atribuída ao engenheiro Rudolf Lange. Com a transferência, em 1918, dos escritórios da companhia para outro local, passou o edifício por modificações que incluíram a criação de um salão nobre.

Com o desativamento da estação, após a inauguração, em 1972 da nova estação rodoferroviária de Curitiba, foi nela instalado um museu projetado por museólogos da Rede Ferroviária Federal.

No alto do prédio está um relógio circular, com números arábicos, e há ainda dentro do relógio uma segunda numeração interna na cor vermelha, que vai de 13 a 24.

Antiga Estação Ferroviária. FONTE: mpviagenselazer.blogspot.com

CATEDRAL BASÍLICA MENOR DE NOSSA SENHORA DA LUZ

A Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz de Curitiba fica na Praça Tiradentes. É um dos mais importantes patrimônios culturais da cidade. Construída de 1876 a 1893, em estilo neogótico, segundo o projeto do arquiteto francês Alphone de Plas. Ocupa o mesmo local da antiga matriz do século 17, bem como o da sua sucessora, construída em 1720. Como suas antecessoras, a Catedral é dedicada e abriga a imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, Padroeira de Curitiba. É Catedral Basílica Menor desde 8 de setembro de 1993, quando completou 100 anos.

Antiga Igreja Matriz. FONTE: http://www.curitiba-parana.net

A Catedral possui dois relógios, um em cada torre, são relógios mecânicos, circulares, (4 grafado IIII).

Catedral de Curitiba. FONTE: http://www.embaixadorstb.com.br

PAÇO DA LIBERDADE

Em 1914, o então prefeito Cândido Ferreira de Abreu (1856-1919) iniciou a construção da primeira sede própria da prefeitura no local do antigo Mercado Municipal, projetada por ele próprio com a ajuda do escultor Roberto Lacombe. O Paço Municipal foi inaugurado em 1916, e em 1948 foi batizado de Paço da Liberdade. Depois de 42 prefeitos, deixou de ser a prefeitura em 1969. Em 1974 tornou-se o Museu Paranaense, assim permanecendo até 2002. Com a restauração concluída em 2009, tornou-se um espaço cultural mantido pelo SESC/PR. É o único edifício curitibano tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O Paço da Liberdade é frequentemente confundido pelas pessoas, principalmente turistas, com uma igreja, devido a sua torre, não é raro pessoas de fora perguntarem “Que igreja é essa?”.  O relógio do Paço é mecânico, circular, números arábicos, total de três (frente e laterais da torre).

Paço da Liberdade. FONTE: http://www.flickr.com

RELÓGIO DAS FLORES

O Relógio das Flores  está localizado no setor histórico, na Praça Garibaldi. Trata-se de um presente oferecido ao município por joalheiros, no ano de 1972. A partir de 1978, as flores do canteiro passaram a ser repostas a cada trimestre, obedecendo à floração das estações.

Apresenta oito metros de diâmetro, com os ponteiros confeccionados em fibra de vidro. Seu funcionamento é baseado na emissão vibrátil do quartzo, que oferece maior precisão, suscetível a um desarranjo máximo de 30 segundos por ano. O acionamento se dá pelo envio de impulsos eletrônicos de um relógio-comando instalado na Igreja do Rosário. Em 1980, a construção do belvedere permitiu sua melhor visualização.

Relógio das Flores. FONTE: curitiba.paises-america.com

 IGREJA MATRIZ DE SÃO JOSÉ, EM SANTA FELICIDADE

 Em 1891, atendendo à forte religiosidade dos imigrantes italianos, erigiu-se a Igreja São José, em Santa Felicidade, tornando-se um importante elemento agregador dos italianos que fizeram o bairro. A fachada apresenta elementos românticos e clássicos, tendo o campanário (torre sineira) separada da nave principal, conforme tradição italiana.

O relógio fica no campanário, sendo mecânico, circular, números arábicos e com quatro faces.

Igreja de Santa Felicidade. FONTE: http://www.circulandoporcuritiba.com.br

RELÓGIO DA PRAÇA OSÓRIO

A Praça Osório nasceu em 1874 e recebeu, em 1878, o nome de Largo Oceano Pacífico. É Praça General Osório desde 1879. Teve coreto em 1914, construído pelo prefeito Cândido Ferreira de Abreu e demolido no início dos anos 50. Seu relógio fica em um pedestal na entrada da praça, voltado com uma face para a praça e outra para a Rua das Flores, foi restaurado em 1993, relembra o primeiro lá instalado, e marca a hora oficial da cidade. Tem forma circular, com números romanos e o número 4 grafado como IIII.

Relógio da Praça Osório. FONTE: http://www.circulandoporcuritiba.com

RELÓGIO DA RUA RIACHUELO

A Rua Riachuelo é a primeira rua de Curitiba, nasceu próxima à matriz da cidade, a Praça Tiradentes. A via era um dos caminhos que ligava a vila de Curitiba ao litoral, no século XIX. O local sempre teve vocação para o comércio, além de ser frequentemente citada nos jornais como ponto de referência para entrega de objetos perdidos, escravos fugidos, venda de ingresso para circos e leilões de fazenda, jóias e relógios

A rua foi revitaliza, e o novo calçamento antiderrapante facilitou a vida de quem passa por ali, para felicidade dos comerciantes. A iluminação modernizou uma das áreas mais degradadas da região central, o que se espera tenha ajudado a diminuir as ocorrências policiais. A maioria das pessoas que passam por ali diariamente nem deve ter percebido que alguma coisa não voltou a funcionar. Um relógio trazido da Alemanha em 1895, pelo proprietário da loja, Roberto Raeder, marca há anos a mesma hora: 11h38. Na entrada do número 147, no qual funciona hoje uma loja de roupas usadas, uma placa informa que o marcador histórico foi restaurado em 1996, durante o mandato de Rafael Greca. O relógio fica na sacada do “prediozinho” na esquina com a Travessa Tobias de Macedo.

Relógio da Riachuelo. FONTE: http://www.flickr.com

Relógio da Riachuelo. FONTE: http://www.jornaldelondrina.com.br

RUA 24 HORAS

Inaugurada em 1991, a Rua 24 Horas foi reaberta em novembro de 2011 e voltou a ser ponto de referência e encontro para quem procura boa comida, presentes, leitura e lazer bem no centro da cidade.

Restaurada, a Rua voltou a ostentar a arquitetura que a tornou conhecida mundo afora, como os grandes arcos e o relógio com as 24 horas do dia, e reabriu com um variado mix de comércio e serviços.

Abriga também o espaço Curta Curitiba, uma Central de Atendimento ao Turista. Onde o visitante encontra as diversas informações turísticas da cidade e pode organizar sua estada na capital paranaense, adquirindo produtos e serviços turísticos.

Dois grandes relógios, um em cada entrada (ou saída), marcam horas em 24 intervalos, em lugar de 12. São iluminados e comandados por uma central eletrônica a quartzo.

FONTES:

http://edcapistrano.blogspot.com.br/2010/11/relogios-de-curitiba-1.html

http://www.catedralcuritiba.com.br/a_catedral.php

http://www.circulandoporcuritiba.com.br/

http://www.curitiba.pr.gov.br/idioma/portugues/pracaosorio

http://www.flickr.com/photos/edison_gonalves/6041608419/

http://www.jornaldelondrina.com.br/brasil/conteudo.phtml?ema=1&id=1120000

http://www.viaje.curitiba.pr.gov.br/pontosturisticos/rua24horas.html

PARANISMO

Você é paranista?
Se você está relacionando o termo “paranista” ao time de futebol conhecido como “Paraná Clube”, você está enganado, não é de esporte que estamos falando, mas de um movimento pouco conhecido, mas muito importante.

“Paranista é aquele que em terras do Paraná lavrou um campo, vadeou uma floresta, lançou uma ponte, construiu uma máquina, dirigiu uma fábrica, compôs uma estrofe, pintou um quadro, esculpiu uma estátua, redigiu uma lei liberal, praticou a bondade, iluminou um cérebro, evitou uma injustiça, educou um sentimento, reformou um perverso, escreveu um livro, plantou uma árvore”. (MARTINS, Romário in: Trindade e Andreazza, 2001, pg 91).

Certamente a maioria dos paranaenses desconhecem o movimento artístico denominado “Paranismo”, que nasceu no estado, no entanto teve grandes defensores que com garra buscaram dar ao estado o orgulho de suas raizes e a busca por uma identidade particular.

Um movimento artístico é caracterizado por ideias comuns, data de criação, local, participantes e, em alguns casos, por um manifesto. Podemos citar vários exemplos, como o impressionismo, gótico, clássico, cubismo, e tantos outros. E no Paraná baseado em suas características, o Paranismo.

Página da revista "Ilustração Paranaense", veículo por excelência das idéias paranistas, definidas por Romário Martins e desenhadas por João Turin e Lange de Morretes. FONTE: poshistoria.ufpr.br

Na figura acima é possível perceber alguns traços arquitetônicos das ideias desse movimento, onde vemos a pinha esculpida na coluna e temas da flora paranaense.

O  paranismo busca através das artes apontar as principais características do estado, cunhando elementos que representem seu povo, sua fauna e flora.

Foi um movimento de afirmação da cultura paranaense, que surgiu no final do século 19, e sugeria que os artistas utilizassem em suas obras referências locais, como o pinhão, araucária, erva-mate, chimarrão, etc. Elogio mútuo e ênfase em tudo o que fosse paranaense, “mesmo que seja ruim, é nosso”, faziam parte do programa paranista nas artes (pintura, escultura, arquitetura, artesanato, música, arte em geral).

Lange de Morretes, Ghelfi e Turin, após vários estudos, esses artistas criaram uma fórmula geométrica para a representação do pinhão, semente do pinheiro, árvore considerada símbolo do Estado do Paraná . FONTE: http://antropologia.uab.es

Na figura acima podemos ver o pinhão em forma  geométrica que é tão comum aos paranaenses, principalmente aos curitibanos, que convivem com esse elementos em suas calçadas de petit pavé ou ainda em várias pinturas da cidade .

etit pavé formando uma pinha. FONTE: gazetadopovo.com.br

Origens e Pioneiros

O Paranismo foi um movimento regionalista ocorrido entre as décadas de 1920 e 1930, conduzido por um grupo de intelectuais que procurava cultuar e divulgar a história e as tradições do Paraná, incentivando a construção de uma identidade regional, impregnada pela crença no progresso e no desenvolvimento social que foram característicos na Primeira República.

Apesar desta busca pelas raízes paranaenses, o Movimento Paranista acolhia também emissores que não estavam ligados à terra pelo nascimento, mas que eram defensores do processo de Emancipação do Estado, como o mineiro Cruz Machado e o paulista Carneiro de Campos.

O Movimento Paranista contou com a participação de vários literatos como Romário Martins, Euclides Bandeira, Dario Vellozo e Rodrigo Júnior.

Na figura abaixo várias composições e possibilidades de aplicar os elementos paranistas as artes:

Estilização do pinheiro, pinha e pinhões. FONTE: antropologia.uab.es

O primeiro passo para que o paranismo possa ser praticado e divulgado é estudar a História do Estado e da Região. Sem isto não há como criar um romance que identifique este torrão. Não há maneira de identificar o regionalismo sem a paisagem e a geografia para pano de fundo.
O palco do paranismo são os Campos Gerais, tendo por bastidores a sua História. Seu personagem principal é o tropeiro, pilchado e de cuia na mão, seja ele estancieiro, escravo ou peão.

Abaixo imagens que ilustraram a revista “Ilustração Paranaense” em 1928, trazendo personagens pertencentes ao estado ou ainda marcos da cidade de Curitiba, valorizando o povo do Paraná e sua história:

Imagens ”características” de Curitiba. O semeador; Barão do Rio branco e Tiradentes. Ilustração Paranaense, ano II, nº. 1 de 1928. FONTE: poshistoria.ufpr.br

Outras formas de arte também puderam se apoderar da estética paranista, como a ilustração abaixo:

Ilustração da capa da Ilustração Paranaense, ano I, nº. 1 de novembro de 1927. FONTE: poshistoria.ufpr.br

Os indígenas do estado também foram retratados:

Guairacá. Sem data. Escultura. 117,5 x 71,4 x 35,5 cm. Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. FOTO: Luis Afonso Salturi.

O pinheiro

O pinheiro realmente esteve presente na maior parte da produção artística dos artistas que viviam no Paraná desde a década de 20 ou 30, quando o Paranismo teve sua ascensão. Continuou presente nas obras de artistas que surgiram posteriormente ao movimento, e continua marcando presença em obras de alguns artistas que atualmente vivem neste Estado. A representação pictórica do pinheiro, da pinha e do pinhão foi tão forte que ultrapassou as telas dos quadros e ganhou as ruas curitibanas e paranaenses. O Paranismo foi responsável pela comunicação visual, na estilização de pinhas, nas calçadas, iluminárias públicas, pilares, etc, até os dias atuais.

Alma da Floresta. 1927-1930. Óleo sobre tela: color; 285 x 245 cm. Assembléia Legislativa do Paraná, Curitiba. FOTO: Luis Afonso Salturi.

Abaixo exemplo da estética paranista aplicada a mobília:

Escrivaninha Paranista. F. Szabo. 1928. Atualmente no Centro de Letras do Paraná. Foto: Lilian Hollanda Gassen, 2007. FONTE: poshistoria.ufpr.br

Abaixo o paranismo aplicado na arquitetura:

Fachada da casa do Dr. Bernard Leinig. Por João Turin. c. 1928. Acervo Casa João Turin. FONTE: poshistoria.ufpr.br

A música também sofre influência do movimento e marca a época com forte aparecimento de canções com temática regional. São canções que falam do campo, das casas, dos rios e principalmente das araucárias. Um exemplo são as canções de Bento Mossurunga: “Ode do pinheiro”, “Virgem do Rocio”, “Tristeza do pinheiro”, etc.

Padrão rítmico do acompanhamento de "Bom dia Paraná" de Beto Mossurunga. FONTE: lume.ufrgs.br

Embora seja um movimento que teve seu auge há décadas atrás, artistas atuais buscam resgatar esse movimento em suas artes. Exemplos disso  são reveladas nas obras de Vera Lília, que resgata os símbolos paranaenses criados pelos paranistas no início do século passado.

Pinheiros, arte em vidro de Vera Lilia. FONTE: sesipr.org.br

Através desse passeio pela história paranista torna-se evidente a importância e o reconhecimento desse movimento em prol da identidade do povo paranaense.

www.orkut.com/Community?cmm=14295

http://antropologia.uab.es/Periferia/Articles/6-salturi.pdf

http://www.sesipr.org.br

http://segundodemusica.wikispaces.com

http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5393/000514499.pdf?sequence=1

CEMITÉRIO MUNICIPAL DE CURITIBA – MUSEU A CÉU ABERTO

No bairro São Franscisco está um dos mais encantadores cemitérios de Curitiba, o Cemitério Municipal São Francisco de Paula, que é o mais antigo da cidade  e cuja pedra fundamental foi lançada em 1854  pelo Senador e Conselheiro da Província Zacarias de Góes e Vasconcelos, devido a falta de verbas na época a construção retornou em 1857 e foi concluída em 1866.

Segundo dados da prefeitura de Curitiba, até 2010 possuía 5700 túmulos e 72.787 sepultamentos até maio de 2010.
Através da arquitetura construída e das  suas tendências da época  podemos observar um histórico da sociedade curitibana sobre o seu  poder financeiro, suas religiões, crenças, valores e espiritualidades, desde aquela época.
Restos mortais são encontrados de diferentes épocas, como, Revolução Federalistas, renomados produtores de erva-mate, família Hauer, Trajano Reis, Barão do Serro Azul e ainda condes, viscondes e importantes políticos e religiosos do estado do Paraná.

Entre os inúmeros ilustres enterrados no municipal uma figura se destaca por sua história, Maria Bueno, assassinada em 1893 por um soldado enciumado e considerada santa por muitos devotos. Quem teve a oportunidade de visitar o cemitério no dia de finados sabe de longe, quão venerada a santa curitibana é, seu túmulo é repleto de centenas de placas de graças recebidas e flores, principalmente rosas vermelhas. Com certeza é o túmulo mais visitado e intrigante do cemitério, cujo nível da construção está mais baixo que os demais ao redor devido a data de sua construção.

A maioria dos curitibanos não sabe da riqueza que é possível encontrar dentro do municipal, a variedade de obras de artes, inúmeras oriundas da Europa, da mistura de estilos artísticos que o compõe.

A fotógrafa, pesquisadora e relações públicas  Clarissa Grassi é uma das curitibanas que sabe o valor que o cemitério representa para a cidade, e muitos de seus registros fotográficos e históricos estão em seu livro “Um Olhar… A Arte do Silêncio”, onde retrata e aponta importantes aspectos desse lugar pouco explorado.

Basta um passeio pelo municipal para identificar que o mesmo é reflexo da própria sociedade “lá fora”, onde grandes mausoléus denunciam o poder da família e a simplicidade de outros a origem humilde da família.

Vamos conhecer  alguns túmulos e obras do  municipal:

O túmulo que guarda os restos mortais de Maria Bueno, a santa curitibana:

Túmulo de Maria Bueno.FOTO: Claudia Bilobran

O túmulo de  Luci, que morreu aos cinco anos de idade, com a estátua de uma menina que leva flores na barra do vestido reproduz uma cena vivida pela criança duas semanas antes da sua morte. Ela havia colhido os cravos plantados pela mãe no jardim da casa, carregando-os na roupa, conforme a imagem que adorna seu túmulo. O pai da menina, comerciante que viajava muito, viu a figura de mármore durante uma das viagens à Alemanha e a trouxe pessoalmente no navio para colocar no túmulo da filha:

Túmulo, menina com flores. FONTE: abecbrasil.blogspot.com

Um túmulo que carrega o simbolismo de várias culturas, principalmente egípcia:

Túmulo com diversidade de simbologismo. FONTE: Livro “Um Olhar… A Arte do Silêncio” de Clarissa Grassi.

Mosaico na entrada do cemitério retratando passagens bíblicas:

Mosaico no pórtico do cemitério. FOTO: Luiz Cequinel

Anjo de mármore, uma estátua muito usada no municipal:

Anjo de mármore. FONTE: artenosilencio.blogspot.com

Com a mão esquerda no bolso da calça, o jovem deixa entrever seu colete, rico em detalhes. Na mão direita, apoiada sobre a perna semiflexionada, um livro entreaberto, sinal de seu gosto pelos estudos e o desejo de aprofundá-los.” A descrição da estátua de bronze em tamanho natural, 1,88 metro de altura, feita pelo escultor italiano Alberto Bazzoni, está no livro Um olhar… A arte no silêncio, de Clarissa Grassi. De acordo com o livro, o famoso pesquisador e crítico Clarival do Prado Valladares considerou a escultura a mais significativa de todo o conjunto de obras do Cemitério São Francisco de Paula:

Estátua de jovem. FONTE: artenosilencio.blogspot.com

Anjo segurando uma trombeta, sugerindo estar aguardando o momento para tocá-la e os mortos levantarem no dia do juizo final:

Anjo com trombeta. FONTE: facebook.com/artenosilencio

Homenagem póstuma ao ferreiro Berti, com temas referentes à sua profissão:

Ferreiro Berti. FONTE: facebook.com/artenosilencio

Túmulo com a imagem de Santa Bárbara, mártire cristã que foi degolada no século III:

Imagem de Santa Bárbara. FONTE: fotowho.net/_necro_polis_

Como visto acima, o cemitério municipal tem muita história pra contar. Esses são alguns pequenos exemplos do que pode ser encontrado por lá, agora imagine, quanta história é possível saber ouvindo os familiares de pessoas enterradas lá. Outro ponto importante a ressaltar é a possibilidade de estudos que um cemitério como esse pode proporcionar, pode ser campo de estudo de costumes, moda, história política, religiosa, surtos de doenças e outros inúmeras possibilidades, basta o pesquisador conciliar seu interesse a esse vasto campo de estudo a céu aberto.

curitibacity.com

gazetadopovo.com.br

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PONTE PRETA – CURITIBA

Para os curitibanos a ponte preta é conhecida visualmente e desconhecida historicamente. Por ser tão próxima a ferroviária, ao shopping estação e a rodoviária, seus arredores é conhecido por quem frequenta esses locais.

Ponte preta com locomotiva exposta na década de 80. FONTE: vidadmaquinista.blogspot.com

Ponte Preta. FONTE: circulandoporcuritiba.com.br

Esta é a segunda ponte construída no local. A primeira foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1885 e era conhecida como Ponte da Rua Schmidlin, pois passava sobre a via assim denominada em homenagem ao proprietário dos terrenos do local. Ela foi a última etapa da construção da ferrovia ligando Paranaguá a Curitiba.

Com o aumento do tráfego ferroviário e do peso das composições, ela foi substituída pela atual ponte, inaugurada em 1944, com estrutura metálica importada dos Estados Unidos (naquela época não havia produção de aço no Brasil) e pedras talhadas em formas geométricas. Ela foi montada sob a supervisão do seu projetista, o engenheiro Oscar Machado da Costa.

Placa de inauguração da ponte. FONTE: circulandoporcuritiba.com.br

Considerada uma obra de arte da engenharia ferroviária, a Ponte Preta é única no mundo. Sua arquitetura foi especialmente desenvolvida, já que naquela época não existia o conceito de protensão (tensões prévias no concreto).

A empresa que fabricou a ponte nos Estados Unidos exigiu um documento que garantisse a estabilidade da obra, pois nunca tinha construído algo semelhante. A Ponte Preta foi desativada nos anos 70, devido à inauguração da nova estação rodoferroviária, e tombada como patrimônio histórico estadual em 1976.

Vista superior da ponte. FONTE: amantesdaferrovia.com.br

A ponte custou 271 contos de réis, 132 mil réis e 102 réis e nela foram empregadas 21.178 toneladas de material. O superintendente do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná), José La Pastina Filho, conta que a ponte até já foi de outra cor.  “Originalmente a ponte era na cor prata. Com os anos ela foi pintada na cor preta e com isso surgiu o apelido Ponte Preta. O apelido se popularizou de tal forma que o viaduto da João Negrão até hoje é conhecido como Ponte Preta”, explica.

Ponte na sua cor original. FONTE: tha.com.br

Uma situação muito comum na ponte preta devido a sua altura, são acidentes com veículos menores que 3,60m.

Acidente na ponte preta. FONTE: gazetamaringa.com.br

Desde o início do mês de julho de 2011, os motoristas que circulam pela Rua João Negrão e pela Avenida Sete de Setembro, próximas à Ponte Preta, no centro de Curitiba, recebem avisos luminosos através de sensores  para evitarem acidentes. Os veículos com mais de 3,60m agora são alertados quando se aproximam do local.

Segundo a assessoria de imprensa da Urbanização de Curitiba (Urbs), outros projetos já foram feitos no local para evitar acidentes, mas sem êxito. A Ponte Preta, inaugurada em 1944, é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e já sofreu danos por causa de inúmeras colisões que envolvem veículos com mais de 3,60m.

Uma das medidas discutidas foi o rebaixamento da pista sob a ponte, mas os estudos mostraram que isso seria inviável. Rebaixar a pista significaria alterar todo o sistema viário do entorno, porque o motorista que saísse, por exemplo, da Sete de Setembro já entraria numa pista rebaixada o que poderia criar situações de risco. Outro motivo seria o risco de enchentes no local rebaixado.

No ano de 2012 iniciou-se a restauração da ponte, numa ação conjunta entre a Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), Prefeitura Municipal de Curitiba e a Thá Incorporadora, responsável pela obra de revitalização. A restauração da Ponte Preta será o primeiro exemplo de uma parceria público-privada que irá unir a preservação da memória ferroviária com a preservação de um bem tombado. E o mais interessante é que essa junção permitirá que Curitiba receba um bem restaurado que servirá como passarela aos seus cidadãos. Ou seja, a restauração afetará diretamente a cidade. A ponte ligará o empreendimento da THÁ localizado na Avenida Sete de Setembro ao campus da Universidade Federal do Paraná, que fica do outro lado da ponte.

Empreedimento da construtora THÁ e o projeto de restauração. FONTE: tha.com.br

DADOS DA PONTE:

Comprimento: 32,89 metros
Altura do vão central: 21,28 metros
Altura dos vãos laterais: 5,80 metros

FONTE:

amantesdaferrovia.com.br

circulandoporcuritiba.com.br]

tha.com.br

gazetamaringa.com.br

curitiba.pr.gov.br

gazetadopovo.com.br

vidadmaquinista.blogspot.com

OS LAMBREQUINS E A CIDADE

Quantas são as vezes que andando por Curitiba nos deparamos com casas que possuem esse lindo detalhe em seu telhado, o lambrequim. Desconhece esse nome? Então veja essa imagem abaixo, são os detalhes que ornamentam o telhado da casa:

Exemplos de Lambrequins. FONTE: curitibaportraits.blogspot.com

São poucos os dicionários que registram a palavra lambrequim, esse rendilhado de madeira usado para decorar os beiras das casas, principalmente de imigrantes alemães e poloneses. Embora não se possa dizer que o lambrequim seja uma característica específica do Paraná, foi sem dúvida na Curitiba do final do século passado que esse detalhe arquitetônico obteve maior destaque. Nos últimos trinta anos, porém, com a paulatina substituição das casas de madeira por edificações de alvenaria, o lambrequim foi desaparecendo da paisagem urbana. Há quem diga que o lambrequim tem função estética e outros que serve para ajudar a escoar a água do telhado, como se fossem “pingadeiras”.

Casa no bairro Umbará de imigrantes italianos, construção de 1930. FONTE: lambrequim.net

O dicionário define lambrequins como recortes de madeira e zinco decorados nas beiras das construções antigas .
Mas para os antigos Europeus , os lambrequins têm um significado muito mais profundo .
Eles podem ser de pinho ou imbuia , mas os seus rendilhados têm função de pingadeira .

Obra: “Coreto Polonês” de Eloir Jr. A noite na bela metrópole de “Coré-Etuba”, o coreto polonês moldurado por lambrequins-pinhão, diverte com danças e trajes tipicos de diversas regiões da Polônia. FONTE: eloirjr.blogspot.com

Um lambrequim pode ter vários formatos , como exemplos : cachos de uvas , flocos de neve,  flores , animais , etc.
Mas cada forma , pode ter um significado diferente conforme a tradição , veremos alguns a seguir :

Cachos de uvas : servem para proteger a casa da miséria e atraem fartura e muita comida .

Flores : protegem contra as discórdias , trazendo harmonia e paz .

Animais : trazem sorte na pecuária .

Neve: para relembrar aos imigrantes essa característica dos telhados da terra natal.

Exemplos de lambrequins. FONTE: .lambrequim.net

Não há dúvida da importância e do rico discurso que essa arte revela a todo curitibano e da importância de preservá-lo.

FONTE:

lambrequim.net

curitibaportraits.blogspot.com

eloirjr.blogspot.com

PETIT PAVÉ: A CALÇADA DA ARTE E DA DISCÓRDIA

Quem anda pelas ruas de Curitiba conhece bem esse tipo de pedra, o petit pavé, que ornamenta as calçadas da cidade. Trata-se de um tipo de passeio em que se usa rochas de basalto (escuras) e rochas calcáreas (brancas) de pequeno porte formando gravuras que dão um belo visual nas cidades. Podemos citar alguns exemplos de calçadas com petit-pavé afamadas como a de Copacabana no Rio de Janeiro e o Calçadão de Ponta Grossa. Na região podemos citar o uso destas calçadas em Irati, Ivaí,Imbituva, União da Vitória e em outras cidades em menores proporções.

Petit pavé formando uma pinha. FONTE: gazetadopovo.com.br

Esse tema já foi até assunto de um livro livro: “Calçadas de Curitiba: Preservar é preciso”da arquiteta Lucia Torres de Moraes Vasconcelos, que mostra a história do revestimento de origem portuguesa na cidade.

Como as rochas são de pequeno porte e se soltam com facilidade acabam se tornando arma fácil de marginais que atiram estas contra outras pessoas, casas e veículos.Quando molhadas a calçada torna-se escorregadia e pode provocar acidentes principalmente envolvendo obesos, idosos, crianças e demais pessoas com calçados lisos, isso dificulta também a acessibilidade, dificultando o acesso para deficientes físicos.
Quando estas calçadas ficam um certo tempo sem serem lavadas estas calçadas criam algas, popularmente chamadas de limbos, diminuindo sua beleza cênica e ficando ainda mais escorregadias.
Quanto a questão ambiental vale lembrar que estas diminuem a infiltração das águas da chuva no solo, podendo ocasionar inundações quando há chuvas em excesso. Esrte tipo de calçada é feito com materiais rochosos retirados de grandes pedreiras, que causam grandes impactos ambientais, muitos deles irreversíveis.
considerados lixo (exemplo concreto + vidro moído) e q ue garantam ao mesmo tempo a segurança e o acesso para todos. Fica a sugestão, vale lembrar que o povo espera por cidades eficientes.

Exemplares da aplicação artística do petit pavé na cidade. FONTE: montagem de circulandoporcuritiba.com.br

Para o arquiteto José La Pastina Filho, superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), defende não só o lado estético do petit-pavé, mas também o funcional. Segundo La Pastina, o revestimento é permeabilizante. “O petit-pavé permite que a água escoe para o solo”, argumenta. E acrescenta:  “O petit-pavé é um dos símbolos de Curitiba. Temos desenhos da década de 30 e 40.”

Rua XV de Novembro, Curitiba, calçadão revestido com petit pavé. FONTE: flickr.com/photos/tupiniquimbrazilis

Discussões a parte, não há como negar o peso histórico, estético e de encher os olhos que esse tipo de calçamento, tão característico da cidade de Curitiba proporciona.

FONTES:

circulandoporcuritiba.com.br

gazetadopovo.com.br

flickr.com/photos/tupiniquimbrazilis

PARA QUEM ACHA QUE CURITIBA NÃO TEM CARNAVAL, O BLOCO GARIBALDIS E SACIS NÃO DEIXA A FESTA MORRER

♪♫♪♫   Esse ano eu não vou sair de Pierrot… ♪♫ ♪♫

Carnaval no Largo da Ordem, Curitiba. FOTO: Gazeta do Povo

O tradicional festejo que arrasta multidões para o Largo da Ordem movimenta a economia da cidade e atrai turistas de diversos cantos do planeta para os quatro domingos que antecedem o Carnaval!  O grupo não precisa provar pra ninguém a importância desse evento que é sucesso em todas as edições, você mesmo já deve ter se embalado no ritmo desse agito!

A festa é do povo e para o povo porém o que muitos desconhecem é que o festejo popular não recebe apoio algum dos órgãos públicos, que ignoram a grandiosidade dessa comemoração! Feio né?
Conversamos com um dos organizadores do bloco e ele explicou pra gente sobre o risco do Carnaval do Largo não acontecer nos quatro dias como de costume! Vamos lá?

Carnaval no Largo da Ordem, Curitiba. FOTO: imagemcom.com.br

O pré Carnaval dos Garibaldis e Sacis completa em 2012, 13 anos de existência é isso? Relembrando o começo de tudo, vocês imaginavam esse crescimento tão grandioso aqui em Curitiba?
Isso mesmo! Que ia crescer sim , não nessas proporções, mas temos de entender que Curitiba sempre teve Carnaval, e que as escolas de samba fazem um trabalho muito sério e sem apoio algum!
                        
A comemoração se divide em 4 domingos que antecedem o carnaval! Vocês começam a se organizar quanto tempo antes desse agito?
Começamos realmente a nos preocupar com o pré Carnaval em agosto. Em média cinco meses antes da folia.
                   
         
Quem são os “Garibaldes e Sacis” e o que fazem além de organizar o bloco?
 Todos nos “organizadores” temos outros afazeres , e em sua grande maioria somos artistas liberais! Temos também arquitetos, jornalistas, escritores, Turismólogos, Advogados, Arte Educadores, Atores, Bonequeiros, Cantores, Iluminadores Cênicos, Técnicos de som, Produtores… Temos que ralar pra caramba a fim de fazer acontecer e o Bloco não se resume apenas no “Pré Carnaval”, fazemos também o “Arraial da Anita”e “o Saru do Saci”. Todos os eventos são voltados para atividades Culturais e populares, o Garabaldis e Sacis na real é um Movimento Cultural Popular e não apenas um Bloco como se pensa…apesar de tudo ter começado pelo Bloco!
                        
Pra galera entender que não é facil, conta pra gente algum “perrengue” que vocês já passaram pra fazer o “Pré Carnaval” acontecer e que se não fosse pela alegria dos foliões, teriam desistido!
Sempre passamos por diversos perrengues a fim de colocar o Bloco na Rua, até o ano passado eram nós que bancávamos todo o custo, você pode imaginar isto? Todos os artistas liberais sem trabalho na época e ainda bancando a brincadeira para uma cidade toda se divertir? Nós começamos a agitar o “Garibaldis vai a copa do Mundo” e contamos com a colaboração de 3 bares, porém foi muito pouco! Na terceira saída a PM resolveu “prender” a nossa kombi de som porque estávamos sem licença e devido a uma reclamação que segundo um PM vinha das altas esferas. O povo ficou louco e vimos a “viola em caos”, neste episódio conseguimos convencer o pessoal a ficar calmo, pra você ter noção, veio reforço da PM – Chamaram um HELICÓPTERO, nunca nos sentimos tão protegidos (hahaha).
Nessa próxima edição pedimos dois carros da PM e Guarda Municipal para a segurança e o poder público nem nos deu “bola”. Para proibir e acabar com a alegria vem até helicóptero, para fazer a segurança dos foliões é uma luta!
Se não gostassemos da festa e dos foliões não digo que teriamos desistido, mas procurariamos um lugar mais calmo e sem a burrocracia para fazer a festa; Mas o Largo da Ordem é do pvo e o povo é do Garibaldis e Sacis, portanto enquanto tivermos ENERGIA faremos no Largo e esperamos contar com a colaboração dos folições e do comercio local, já que do poder público não podemos esperar mais nada!
                        
E vocês nunca foram procurados, pelo poder publico de forma positiva? Afinal de contas o evento já entrou no calendário e é esperado por multidões a cada ano!
Eles fingem que não existimos, mas existimos para eles colocarem nas revistas culturais e etc e tal. Você pode perguntar para os hotéis em volta do Largo e no centro que dia eles estão completamente lotados? Você vai ver que é no dia das saidas do garibaldis e sacis, você percebe que estamos colaborando para o crescimento do turismo e gerando emprego e o poder público nos trata como um bando de artistas doidões
Ficamos realmente preocupados com a imensidão de gente que tem ido e por conta disto tiramos alvará, montamos uma associação para que possamos ter uma aproximação com o poder público no sentido de dar segurança e proteção aos foliões mas a única coisa que conseguimos foi o ECAD no nosso pé (hahaha).

Carnaval no Largo da Ordem, Curitiba. FOTO: Facebook Garibaldis e Sacis

                        
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